segunda-feira, abril 27, 2009

Como sabem tenho uma tendência algo inusitada para ser do contra. Isso reflecte-se naturalmente nas minhas opções literárias. Tenho um truque; quando um determinado autor se torna famoso, não vou a correr ler as obras lançadas pela maquinaria (pesada) publicitária. Ao invés vou ler livros que, supostamente, foram responsáveis pela subida de popularidade do autor (nunca deixa de ser um risco).

Li "A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Zafón e gostei. Foi fácil ler. É como ser levado de mão dada através de uma exposição da vida. O que quero dizer é que sem deixar de ser uma história interessante e com personagens muito boas (Fermín é brilhante), o autor digere a história toda por nós, adjectivando e descrevendo a acção (e os cenários) ao detalhe.

Baseia-se num tipo de organização de escrita que li antes. Eventos que se repetem através de gerações...determinismos que sempre escondem algumas surpresas. Lembrou-me o "Cemitério de Pianos" do José Luis Peixoto que peca por ser complexo, por dar espaço à abstracção e por ser triste e real. Características que aparentemente não alimentam multidões. Pelo menos quero acreditar que essa é a razão e não a nacionalidade do jovem.

2 comentários:

  1. A sombra do vento é giro. É fluído. Mas não passa disso.

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  2. That was my point. É fácil. E provavelmente é por isso que vende. O Cemitério de pianos é muito superior e ninguém conhece...provavelmente porque não é fácil.

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